Com suíça Nycomed, Takeda quer crescer nos emergentes



Veículo: Valor Econômico

Jornalista: Vanessa Dezem

A forte presença da farmacêutica suíça Nycomed no Brasil foi um dos pontos-chave considerados na decisão da gigante japonesa Takeda de fechar sua aquisição por € 9,6 bilhões (US$ 13,7 bilhões). Anunciada por ambas companhias ontem, a transação vai permitir à Takeda sinergias que devem gerar um crescimento de mais de 30% na receita anual da companhia. O foco estratégico do negócio é, além da ampliação de portfólio, a entrada em mercados de alto crescimento em que até então a japonesa não operava.

Com forte presença nos mercados asiático e americano, a companhia japonesa não tinha operações na América Latina, região que tem um forte papel nos negócios da Nycomed: cerca de 10% das vendas globais vêm das subsidiárias do Brasil, México, Argentina, Venezuela e Colômbia. Enquanto o faturamento total da multinacional recuou em 2010 - de € 3,22 bilhões registrados em 2009 para € 3,17 bilhões - as vendas na América Latina avançaram 15% no período.

Nos mercados emergentes em geral, a empresa tem 39% de suas vendas totais. A meta é atingir o patamar de 60% até 2015 e o Brasil deve ser responsável por boa parte desse crescimento.

Na posição de segundo maior mercado para a empresa suíça, depois da Rússia e ultrapassando a Alemanha, o país gerou para a Nycomed um faturamento de R$ 633,5 milhões no ano passado. "Os japoneses ficaram muito impressionados pela nossa presença no Brasil. É uma das coisas que se destacaram na negociação, pois atraiu muito a Takeda. Para captar oportunidades globais, um mercado como o Brasil é essencial", afirmou o diretor de comunicação externa da Nycomed, Tobias Cottmann.

A companhia suíça está no país desde 1954 e opera nos segmentos de prescrição médica, uso hospitalar e medicamentos isentos de prescrição (OTC). Com cerca de 1000 funcionários, a subsidiária fabricante de marcas como Eparema e Neosaldina, tem uma unidade fabril em Jaguariúna (SP).

A Takeda, por sua vez, está representada no país apenas por escritórios. "Uma das coisas importantes que aprendemos com essa negociação é que os japoneses pararam de atuar somente na Ásia e agora estão voltando seus interesses para a América Latina. A aquisição é uma porta de entrada da Takeda no Brasil, um player que já se tornou grande mundialmente", afirmou o sócio da consultoria Alvarez & Marsal, Eduardo Seixas.

A complementaridade do negócio fica mais clara quando se observa que, nos EUA e no Japão, a Nycomed tem apenas distribuidores. "A força da Nycomed em uma ampla variedade de mercados será importante (para nós)", afirmou em nota o presidente global da Takeda, Yasuchika Hasegawa. No que envolve o portfólio das empresas, a transação inclui um medicamento para doenças do pulmão da suíça, que deve ser "a maior fonte de crescimento de receita para a Takeda", segundo comunicado divulgado ao mercado pela empresa.

Os efeitos da operação para a subsidiária da Nycomed no Brasil, no entanto, ainda estão indefinidos. "Ainda não há decisões sobre a integração", resumiu o diretor de comunicação da suíça. A nova estrutura de comando da empresa globalmente também não está decidida.

O acordo envolveu as dívidas da Nycomed e está sujeito à aprovação dos órgãos reguladores, com perspectivas de ser concluído entre 90 e 120 dias. O pagamento será realizado em dinheiro pela japonesa, sendo que uma parte virá de empréstimos. O negócio não foi uma surpresa para o mercado. Comandada por um grupo de fundos de private equity - liderados pelo Nordic Capital - a venda dos ativos da Nycomed já era esperada.

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